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Carnaval infantil – parte 1

Dá-lhe Carnaval. Foi-se enfim o feriado mais sacana do calendário nacional, exceto pra você que mora na Bahia e ainda vai festejar até a Páscoa. O que você fez? Honrou suas raízes paulistas e pegou aquele puta engarrafamento na descida pra praia? Se escondeu na casa da sua vó, que fica no interior, pra se proteger contra as armadilhas de Satanás e ficou baixando os episódios de Naruto? Ficou em casa mesmo, vendo a super transmissão da Globo e aquelas bundas com purpurina?

Eu fiz um pouco de cada. Invés do Naruto, eu li as aventuras do vampirão do Crepúsculo; fui pra praia num bate-volta malandro até o Guarujá só pra tomar um caldo, assisti a apuração das escolas de SP… Tudo muito básico. Mas dessa vez, as coisas fugiram da rotina.

Sábado a noite, cidade vazia porque todo mundo tá na estrada. Você tá sem grana pra ir num boteco qualquer e beber umas. Qual o plano?

- aew, arranja uma bola que hoje nós vamo jogar
- jogar o q
- nao sei, arranja a bola rs

Meia hora depois, um grupo de cinco pessoas se reúne para jogar… vôlei. Com duas bolas de futebol society e uma de basquete. Boa, flipper. Desses cinco elementos, três eram do sexo feminino, de modo que bola não é nosso forte. Alguns minutos discutindo sobre qual seria o tamanho da dor se jogássemos queimada com a bola de futebol, alguém teve a brilhante idéia: “Vamo brincar de esconde esconde”!!!11

Comigo não morreu, gritou José Mayer.

Comigo não morreu, gritou José Mayer.

Eram quase 10h da noite. Uma mobilização geral começou para tentarmos LEMBRAR das regras. O que raios significava “guardar caixão”? Concluímos que era se esconder num raio de 2 metros do cara que tinha que achar os outros, pois isso tornava sua tarefa impossível e era deveras fdp trapacear assim.

“Furar panela”, supomos, era dizer que o Zézinho tava escondido atrás da pilastra, quando na verdade era o Carlinhos. E, por fim, tinha o “último salva o mundo”, motivo pelo qual eu era adorada nas rodinhas infantis, já que eu sempre ficava por último e salvava geral, rs.

Engraçado pensar que quando a gente é pequeno, tudo isso parece inato. Eu não me lembro do dia em que me ensinaram a brincar de esconde esconde, e, após uns 6, 7 anos sem brincar disso, eu já não fazia idéia de várias coisas. Mas uma memória me veio imediatamente, na hora que me escondi atrás da moita.

- MEL DELS EU PRECISO FAZER XIXI.

Toda aquela tensão em estar escondida, em ter que calcular mentalmente a distância entre mim e o lugar onde eu me salvaria e, portanto, a velocidade que eu teria que correr (nerd, eu sei) me deixavam desesperadamente necessitada por um banheiro e isso não mudou mesmo depois de vários anos. Involuntariamente molhei a calcinha e fiquei na espreita até que … UM, DOIS, TRÊS, THAMY SALVA O MUNDO!!11111

Mais uma vez, agradeci a dels por ter pernas com 1 metro de comprimento e poder correr litrus. Infelizmente, a brincadeira não durou mais de quatro rounds: meia hora depois já estávamos cansados, cheios de dores e suando, as 10h24 da noite.

A moda agora é vamoda,bjs.

Foi-se o tempo em que ter fetiche era caso de perversão e possessão demoníaca. Coisa super normal usar chicotinho, algema, cadeira de praia, taco de beisebol e tudo o mais pra excitar o(a) amiguinho(a) e ficar doidão de vontade morder a fronha (sem duplo sentido).

A coisa engloba uma infinidade de opções, desde as mais comuns, como aquelas fantasias eróticas feitas de látex que vende no sex shop da esquina, até as mais bizarras, tipo engessar o coleguinha, pisar em ovos ou o bom e velho bondage:

Sim, coleguinhas que assistem ao Big Brother. A mocinha acima, segundo todas as lendas que rezam na rede, é a tal Priscila, aquela que mal se veste e parece uma atriz pornô (ou só eu acho?) da casa mais vigiada do Brasil, segundo Bial. A família da moça já saiu em defesa, disse que não é a mesma pessoa, que essa da foto é uma tal de Mel e blábláblá. Ok, que seja. Não vejo mal em curtir umas cordas e se deixar fotografar nessa situação pitoresca, todo mundo faz isso, não?

Suponho eu, aos meus 18 e serelepes anos, que alguém cujo maior prazer seja ser amarrado, imobilizado e tal tenha ALGUM tipo de distúrbio, mesmo que seja só enfiar o dedo no nariz e comer meleca. É meio óbvio que, nessa condição, a pessoa fica totalmente vulnerável e submissa ao Senhor das Cordas que a colocou ali. Talvez seja esse o barato da coisa. Difícil é imaginar alguém que leva uma vida socialmente comum nesse cenário.

me amarra di ponta kbssaaa~~

me amarra di ponta kbssaaa~~

Seguindo a linha de raciocínio, fica engraçado pensar que muitas dessas senhoritas de respeito defendem a liberdade sexual, a liberação da mulher e BORAQUEIMARSUTIA~!!1 Nos anos 60, fizeram o diabo pra conseguir todo respeito que a mulherada alcançou até aqui e, duma hora pra outra, todo mundo ignora tudo isso e a moda é ser vadia, vamoda,bjs. Assim fica difícil. Natália, a lésbica-por-um-dia, que o diga. E essa foi a melhor posição que ela conseguiu.
 
Entre ser liberal na hora do vamo ver e vulgarizar a coisa, existe um precipício de diferença. É exatamente essa liberdade que te dá a chance de curtir as mais variadas taras que sua mente doentia e cheia de porcaria pode criar.

I (L) SP

(Post inusitado)
Após o texto anterior, há quem se pergunte por que raios eu ainda me dou o trabalho de ir pra faculdade, acordar cedo e fazer papai pagar quase R$ 1000,00 por mês. Entre fatores óbvios como eu-também-quero-um-canudo, eis que numa quinta feira comum, às 13h46, dels me deu mais um estímulo pra seguir adiante.

- Por que aquele ônibus tá parado ali?
- Sei lá, tá vazio…
Natália desce as escadas da Gazeta pra observar a aglomeração em torno do ônibus.
- O que tá acontecendo ali MEL DELS A MULHER MELANCIA!!!!111

foi o melhor que meu Nokia pôde na hora do desespero, ok?

melancia gats

- NOÇA, NOÇA, A MULIER MELANÇIA NA MINHA FRENTE, MEL DELS, NAO ACREDITO
- TIRA FOTO VAI VAI
- Gazeta de merda, só dá essas porcarias aqui…
- OMG QUERO LAMBER A MULIER MELANÇIA

Tenham piedade: Natália está desequilibrada devido a relacionamentos conturbados e acordou lésbica hoje. Normal, não? Por esse tipo de acontecimento é que a gente ama São Paulo.

Post em breve.

As babaquices do TERCEIRO grau, rs.

Aaah, volta às aulas. Mais um ano letivo se inicia e, junto com ele, todas as obrigações existentes em ser um estudante de ensino superior. Se você ainda não passou dos 17 e tá no colegial, esse post não vai ser inspirador. Ainda dá tempo de parar de ler.

Pra começar, vamos retomar desde o início. A primeira emoção: passar no vestibular. Você se lascou, estudou como um camelo e passou pelo cagaço de fazer uma prova maldita e injusta que define seu destino durante o próximo ano inteiro. Após todas as orações da sua mãe, tudo correu bem e você ao menos não teve diarréia no único dia do ano em que isso seria imperdoável. Chegado o grande dia, tá lá seu nome e enfim, você é um universitário. Feliz pela primeira vez na vida por ser um n00b, promovido a BIXO, você vai lá e se submete ao TROTE, que tem por definição, segundo Aurélio:

Trote s. m. 1. Desculpa esfarrapada para humilhar pessoas em um nível de estudo inferior ao seu. 2. Desculpa esfarrapada para enfiar guache no olho de pessoas que você não conhece. 3. Desculpa esfarrapada que te dão para enfiar guache no seu olho. 4. Desculpa esfarrapada para reunir estudantes de um mesmo curso com o objetivo de confraternizar e fazer amizade. 5. Desculpa esfarrapada para uma grande orgia de tamanduás-bandeira.

De todas as definições acima descritas, certamente a quarta é a última na qual pensam, pelo menos na maioria das faculdades. Eu NÃO QUERO ser amiga de alguém que me humilha e sacaneia numa avenida cheia, em que eu provavelmente corro risco de vida se me recusar a fazer algo e o menor grau de humilhação possível seria gritar “Chupa, Mackenzie!” com todas as partes expostas da minha pele cobertas por alguma mistura química colorida. 

um doce pra quem me achar nessa foto.

um doce pra quem me achar nessa foto.

Após tal provação divina, você sobrevive e as aulas começam. Um mês depois, já sabe o nome de todos os professores porque todos eles te amaldiçoaram com trabalhos infinitos que te fazem escolher dormir ou comer. Não adianta implorar, eles não terão piedade.

- mimimi tamos cansados, dá prova invés de trabalho, pssor.
- Francamente. Até minha filha de 10 anos chora menos que vocês. nojo

Estando numa faculdade particular, você ainda paga por isso. Portanto, precisa de um emprego pra ajudar em casa ou ao menos pra ter algum dinheiro. Começa a busca por estágios (vide post O que eu fiz enquanto isso?).

O cansaço te consome. Você não estuda tanto quanto poderia porque não tem tempo, trabalha como um camelo (camelos sempre servem de exemplo), não vê seus amigos do colégio há meses e sofre de sonolência constante. Seus coleguinhas de sala montam um site com foTiNhAS de todos que dormem em aula*.

cadeira desconfortável :"

Mais de um semestre já se passou e você, há essa altura, TEM CERTEZA que 96% de todos os estudantes da faculdade são completos imbecis, divididos em dois grupos. O grupo A, do pessoal super cult que já viu todos os filmes do Woody Allen e tem fotos de intelectuais nos seus álbuns do Orkut; e o grupo B, da galera que adora sair da aula e ir pro bar ÀS 11H30 DA MANHÃ. Em dias de lua cheia, esses dois grupos se misturam, copulando entre si, e fica difícil discernir quem é quem.

Os outros 4% restantes ainda podem ser divididos em dois grupos também. O bando com o qual você se dá bem e considera amigo, que é composto basicamente por 3 pessoas e o grupo de todas-as-outras-pessoas-que-você-ainda-não-conhece.

Aaaah, segundo ano de Jornalismo. Aí vamos nós.
E só pra esclarecer, não fui nem fiquei sabendo de nenhum tipo de orgia daquelas sobre as quais falam que acontece na faculdade, ok? Mais uma prova de que É CHATO MESMO.

P.S.: Próxima atualização, um post especial sobre os dois bandos, os bebados e os cult. Ou, se eu tiver com preguiça, alguma coisa sobre sexo. Bjsvamoda. 

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*O trecho foi editado. Cásper Dorme é muito digno de sua atividade e dormiu tem que fotografar, mesmo. Agora que não tô trabalhando e não tenho desculpa pra dormir em aula, me ocupo tirando foto também, rs.
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Sobre fenômenos e armadilhas de Satanás

Algumas reclamações depois, venho eu atualizar este simpático blog. O por quê da demora? Quer dizer, até mesmo quando eu tava viajando, consegui postar, e por que então agora que eu voltei, o ahmeldels ficou às moscas? Simples, queridos leitores: eu estava (e estou) sofrendo de uma virose modística em nível 32 – irremediável e sem volta -, acerca de um dos mais novos fenômenos cinemátográficos – Crepúsculo, o filme.

Eu sei, eu sei. Se você já viu, vai concordar que os efeitos do filme são toscos, dignos de movie maker, o protagonista usou farinha invés de pó facial, chupou frutilly pra ficar com os lábios coradinhos e a história é bobinha: vampiro ama a mocinha, mas quer comê-la, literalmente, eis o dilema.

Invariavelmente, saí do cinema querendo ler o livro. Em menos de uma semana, já havia lido os dois primeiros da série, Crepúsculo e Lua Nova e estamos agora destrinchando o terceiro, Eclipse. Verdade seja dita, nunca fui absurdamente fã de nenhuma série; já li quase todos os Harry Potter’s, tentei mesmo ler todos os Senhor dos Anéis (mas aquela edição compacta dos três livros me intimidou) e parava por aí. Não cheguei nem perto da neura que alguns tiveram…

SOL BRUXO VO INFIA A VARINAH NO SEO-

SOL BRUXO VO INFIA A VARINAH NO SEO-

A primeira idéia é de que esse tipo de história fantástica é voltada pra crianças. Realmente, elas são. Mas o que raios leva os pais a permitirem que seus filhos pareçam completos idiotinhas, indo à premiere de filmes vestidos à caráter, cantando as músicas do High School Musical, não perdendo um episódio de Hannah Montana? A Super Interessante desse mês traz uma matéria sobre o assunto, abordando as causas psicanalíticas da coisa.

O que todos esses fenômenos adolescentes têm em comum pode não ser tão óbvio. Além do mundo fantasioso que os cerca (um cheio de bruxaria, o outro com vampiros, o outro com uma cantora secreta de uns 13 anos, e por aí vai), há um fator determinante que responde por quê acontece a condescendência dos pais.

Numa breve retrospectiva, fica fácil analisar. Tenha você tido qualquer contato com as histórias mencionadas nesse texto ou não, é simples entender. Harry Potter passa bem uns 6 livros até conseguir dar um beijo na boca decente. A atriz que interpreta Hannah Montana, Miley Cyrus, apesar de ter fotos pseudo-pornô na internet usa um anel da pureza, que simboliza que a mocinha há de se manter virgem até o casamento. Em High School Musical, mais de 3 horas horas, entre o primeiro e o segundo filme, se passam até que os protagonistas troquem saliva. Crepúsculo, por fim, não foge à regra: o protagonista, como vampiro, teme beijar a mocinha e dar aquela dentada na jugular, estragando tudo.

Resultado de tudo isso: pais felizes que acreditam que a influência dessas histórias é benéfica para sua prole. Sem menção à drogas, sexo ou violência, eles não se importam em sacar a carteira para comprar o mais novo George Foreman da Hannah Montana, uma vassoura que vibra pro filhinho fã de bruxaria ou o 13º CD inédito com remixes das músicas do High School. Isso sem falar no RBD… e no quanto o ator que faz o vampirão é sexy, meldelsdocéu.

Basicamente, a idéia é proteger de idéias malignas provenientes da vontade copular, reproduzir, dar uma, enfim. São tentações do demônio. Então, chame seu pai (invés da sua mãe, como no post anterior) e mostre pra ele que você aprendeu a lição:

Reproduzir é o caminho

Na vida há muitas dúvidas e surpresas. No meu momento cultural de hoje, por exemplo, descobri que o nome “Acre”, vem de “aquiri”, que significa “rio wtf”, em tupi. Mas isso não importa, visto que o Acre não existe. Felizmente, continuei meu mundo de descobertas e tcharã:

Homens mais ricos dão mais prazer às mulheres, afirma pesquisa.
Manchete da Folha de S. Paulo em 19/01/2009

Francamente, não precisava mesmo dessa pesquisa pra constatar isso. Você, mocinha, que acha que eu vou bancar a feminista defendendo que nós mulheres não somos interesseiras, cai fora. Não é uma questão de querer herdar o dinheiro casando com um velho rico, porque, afinal, velhos são broxas e não há dinheiro que mude isso. Assim sendo, se nos relacionamos com pessoas com maior poder aquisitivo, essa e tantas outras preferências se devem unicamente à física quântica facilidade de reproduzir com maior sucesso com esse ou aquele, simples assim.

“Segundo o estudo, quanto mais rico é o parceiro, mais frequentemente sua parceira chega ao orgasmo.” 

Quer dizer:
- NOSSA, CARLOS EDUARDO, VOCÊ É UM TESÃO NAQUELA BMW, VOUTEDARBJS
- bls
- UI GOZEI RS
- q

Faz muito sentido. O Jorge, negão grande e forte, pode ser um furacão 2000 na cama, mas sendo pedreiro, jamais irá obter resultados tão satisfatórios quanto Carlos Eduardo, analista da Bovespa. Sua profissão é tão digna quanto a do nosso galã de nome composto, mas vamo combinar que seria bem mais difícil criar os filhos do Jorjão do que os do Cadu, né. E nós, mocinhas, ao escolhermos o que tem mais dinheiro, inconscientemente já fazemos a relação custo X benefício e go go no banco de trás da BMW!!!!11

Isso porque nós somos muito mais espertas que vocês. No exemplo acima, por exemplo, a gente pensa não só na reprodução, mas também no pós-coito, ou seja, entre Jorge e Cadu, qual pode ser o melhor pai dos nossos rebentos. Já vocês, machos sedentos por prazer imediato, não. Por que raios gostar da mulher Melancia? Ela parece boa mãe?

NAUM SUJA A PRAIA, FILHOW, JOGA AQUI, RS.

NAUM SUJA A PRAIA, FILHOW, JOGA AQUI, RS.

Há cientistas desocupados gastando a verba das crianças famintas da Malásia que têm uma explicação pra isso. Uma bunda de 1 metro e 20 centímetros é muito mais do que suficiente, nem as mãos do Jack Bauer conseguiriam segurar aquilo tudo de modo efetivo. Mas o motivo pelo qual ela se tornou essa SENÇASAUM bundística é a seguinte lógica do quadrado perfeito:
 

Ou seja, o grande objetivo dos homens é encontrar parceiras que acasalem seus espermas por nove meses de modo seguro até que eles virem pseudo-pessoinhas que vão ficar parecidas com o joelho do pai, enquanto o das mulheres é dar pro cara mais rico, pra sacanear geral ter filhos bonitinhos e seguir adiante com a espécie.

Paola estava certa.

nah, fala sério.

usurpo mesmo, rs.

Agora corre ali e pergunta pra sua mãe. Se reproduzir crianças sadias era o objetivo, POR QUE RAIOS ELA ENGRAVIDOU DO TEU PAI?

Desbravando por aí

Estar em lugar desconhecido não é fácil. Toda viagem requer planejamento e alguma noção do lugar para o qual você está indo. Estando acompanhado, menos mau, você terá um desbravador bandeirante, disposto a catequizar os índios ao seu lado. Se não, o jeito é ir com a cara e a coragem, fuçando aqui e ali pra ir se virando e fazer valer os reais gastos em milhas na companhia aérea.

Obviamente, quando você chega num lugar novo, por mais que já tenha pesquisado tudo sobre ele na wikipédia, acontece aquele breve “ahmeldels“, seja de deslumbre ou pânico. Pouco a pouco, você vai captando a essência do ambiente. Quando já tiver adquirido alguma noção sobre o funcionamento da tribo, todos na região já saberão que você é o mais novo turista, com a câmera sempre a postos e as roupas super descoladas.

Não é muito difícil identificar. Turista perdido olha pra todos os lados, atravessa rua de modo indeciso, naquele vou-não-vou. As más línguas dizem que em São Paulo os pedestres atravessam no meio dos carros, com sinal aberto e tudo. Verdade, eu faço isso. E é divertido, não tem perigo (pra n00bs, sim, lol). Já fui em cidade do interior que NÃO TINHA SEMÁFORO. Num lugar assim, só se não tiver trânsito mesmo, porque senão o cara mata mil.

u cão foi quem botou pra nóis bebê

u cão foi quem botou pra nóis bebê

Em geral, sempre há diferenças gritantes no modo de vida quando se está num ponto diferente do mundo que não seja sua cidade. Começa logo quando você é apresentado a alguém da nova aldeia. Ao chegar pra pessoa, “oi fulano”, muáck, “sou ciclano”. Num momento soujesusofereçoaoutraface, a pessoa fica esperando que você dê outro beijinho. Se você estiver no Sul, são dois. Em Minas, três. Noutras partes do país, nem sei, talvez eles façam como índios:

- xoxo, gossip girl HAO.

- xoxo, gossip girl, digo, HAO.

Sou paulista, lugar onde time is money e beijinho demais acaba em divórcio. Como a gente já nasce querendo ficar rico e ser empresário pra trabalhar de terno na Avenida Paulista, o cumprimento usual, entre ambos os sexos, é o aperto de mão. Aquela coisa de just business. Daí, se você for esperto, logo aprende e cumprimentar a galera do modo deles. Se for burro, como eu, esquece toda vez e deixa os coitados sem graça, que com toda a certeza pensam: “tsc, turista”.

Após a apresentação, você começa a socializar e comentar qualquer coisa tipo, “nossa, como aqui é quente”. Desprezando seu comentário do fundo da alma, o sujeito te responde algo como “em São Paulo sempre chove, né”. Devem achar que a gente se pendura no varal antes de dormir, porque SP é terra da garoa. E fato: o guarda-chuva de 5 reais que você compra no desespero da situação é feito pra durar somente uma tempestade.  Mas experiência exótica mesmo é assistir a 10 minutos de conversa entre dois nativos; você se esforça, mas não faz ideia sobre qual é o assunto.

Exemplo 1
Malatabacudoarretádo, pensôquiiaconseguintrálá,maixtomou nu quêngo.

Uma sequência gloriosa de adjetivos. Mala, em SP, tem lá seus significados. Mas em Pernambuco, o pessoal usa pra se referir àqueles indivíduos que corrompem a sociedade, os bons e velhos trombadinhas. Já o tabacudo é a pessoa que faz muitas besteiras, burro mesmo. Arretado é a ênfase da frase, quer dizer, o sujeito é muito imbecil. Quengo, por fim, literalmente significa cabeça. Pra mim parece outra coisa, erm.
Tradução: Ladrão absurdamente estúpido, achou que conseguiria entrar, mas não obteve êxito.

Exemplo 2
Bahporqueontemagentefoinoparcãoecertoquetroveiumaguria,trigata.

Nota importante é dizer que gaúcho diz um “bah” a cada inspiração/expiração. É involuntário e mais forte que o chimarrão deles, de modo que não tem utilidade alguma em 80% das vezes em que é dito, exceto quando é seguido de uma frase bombástica. Algo como “BAHrbaridade, o Grêmio perdeu”. Parcão, no caso, se refere a um parque de Porto Alegre. “Certo”, pra eles, é pra dar ênfase. Trovar, do verbo to trovar, lol, significa paquerar, flertar, cortejar. Tri gata seria… gostosa. Eles usam “tri” pra quase tudo também.
Tradução: Puxa vida, ontem fomos ao parque e, é claro, flertei com uma senhorita muito formosa.

O problema consiste em entender qualquer sotaque que seja na velocidade em que eles falam. Joga um amazonense no Rio de Janeiro, o cara chora, primeiro de emoção, por poder comer algo diferente de peixe, depois de desespero, por não entender frases como “oxx bróder tão lá no aRpoadoR e a night vai bombar, manié”.

E sério, eu tô com saudade do feijão da minha mãe. :x

Vamos falar de reforma ortográphik

 Todo ser vivente que não esteve morando numa bolha durante o último ano sabe que a partir de 2009 todos os países de língua portuguesa escrevem do modo mais parecido possível, com o simples objetivo de vender mais livros no nosso adorável idioma ao redor do mundo. Isto é, se você achava estranho quando lia na padaria do seo Manoel o seguinte cartaz:

G

pão rox :G

… não vai achar mais. O seo Manoel vai ter que aprender que o óptimo dele virou “ótimo” e ponto final, porque dels quis.  Mas os portugueses não vão sofrer tanto, só 1,6% das palavras deles serão alteradas. Nós, sim. Imagine a seguinte manchete:

o paint é eficiente.

o paint é eficiente.

Com as novas regras, a manchete acima se torna confusa. “Reforma ortográfica para a língua portuguesa”: a língua portuguesa ganhou uma reforma OU “Reforma ortográfica para a língua portuguesa”: a reforma parou a língua portuguesa? Porque agora não vai ter mais aquele acento bacana pra diferenciar os “paras”. Nem pra diferenciar os “pelos”, nem os “peras”. Quer um exemplo?

A breve conversa a seguir:
[edit a pedido dele mesmo]MARÇEU diz: [/edit]
Comi uma pêra, pera por favor que eu voltarei em breve.
. Lô *. diz:
ok, beijos!

… será assim daqui por diante:
. thamy* du hast mich diz:
COMI UMA PERA AEWWW
. Lô *. diz:
q

Em ditongos abertos, também não vai mais ter acento:
OI, EU SOU UM ANDROIDE SEM GELEIA. EU APOIO A COREIA NO SEU ATO HEROICO SOBRE A TRAMOIA DAS JOIAS.

A ridícula frase acima está escrita corretamente. Ou seja, estamos rumo ao miguxês ortograficamente correto. Ê! Eu que dependerei o resto dos meus dias da palavra escrita, porque esse será meu trabalho, tô lascada. Você, vestibulando, que se ferra nas redações, tá lascado. Então, inspire-se no depoimento a seguir:

depô pra minha best rs

depô pra minha best rs

 ***
Agradecimentos à Helô pela conversa forjada no MSN e ao Marcel pela idéia.

O que eu fiz enquanto isso?


Eis um novo blog. Dois anos depois do fim do Eh? Nem Ligo, estamos de volta à ativa. Schwarzenegger já sabia disso, e disse:
Shell be back.

She'll be back.

Muita coisa teve de acontecer para que este retorno fosse possível. Traquinagens, ciladas do Bino, armadilhas e muitas aventuras do barulho nos trouxeram até aqui. Vejam só vocês, já estou no segundo ano da faculdade! Assim como era de se esperar, estudo paleontologia jornalismo.

Um campo deveras interessante, diga-se de passagem. Após formada, eu posso fazer a cobertura desde a eleição do Frank Aguiar como vice-prefeito da minha adorável cidade, São Bernardo, até ir lá entrevistar os passistas da Mangueira no Carnaval de 2012. Mas, antes de conseguir esses glamurosos trabalhos, há que se começar por baixo.

Já nos primeiros meses, me vi afoita por começar um estágio. X entrevistas depois, começo eu como “monitora de mídia”. Em outras palavras: eu e mais 20 pessoas, em cada turno, liam jornais, revistas e sites, desesperadamente, em busca de citações sobre os nossos clientes. O que eu fazia, especificamente, era ler sites em busca de notícias sobre a Rede Globo. Era divertido no começo, monitorar 16 sites todos os dias, a maioria deles sobre fofoca, lendo a resenha d’A Favorita e super antenada nas últimas notícias sobre Capitu, a minissérie fail em audiência.

Descobri coisas interessantíssimas. Carmo Dalla Vecchia, o Zé Bob da novela, corre TODO SANTO DIA na droga da praia do Leblon COM A MESMA SUNGA BRANCA. O Ben Affleck, por exemplo, faz questão de levar a filha para a escola TODO DIA, ele mesmo. Francamente, essas informações são altamente relevantes e mudavam meu dia, todo dia, e eu consegui repetir essa expressão três vezes no mesmo parágrafo.

De vez em quando, eu encontrava notícias bombásticas que deixariam até Nelson Rubens de cabelo em pé.

Amiga, sei.

Amiga, sei.

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho...

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho...

Enfim, pedi demissão.

 

Update:

Fiquem felizes, as edições do BBB não páram! Até 2012, você pode conseguir sua vaga na casa, porque SIM, ainda vai ter mais 4 edições! Ô beleza!

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